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Ministro dos Petróleos diz que barril na casa dos 60 USD é essencial para Angola

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Numa entrevista à Bloomberg, Botelho de Vasconcelos disse mesmo que a subida do petróleo para os 60 dólares norte-americanos “é extremamente essencial” e manifestou-se esperançado, tal como já o tinha feito noutras ocasiões, de que isso venha a acontecer.

Como pano de fundo para a esperança do ministro angolano dos Petróleos está o acordo assinado em Novembro de 2016 entre os membros da OPEP e não-membros, como a Rússia e o México, para cortar 1,8 milhões de barris por dia (mbpd), para o qual Angola contribuiu com pelo menos 78 mil bpd da sua produção.

Este acordo é a ferramenta com que os países exportadores querem esculpir a subida do barril de crude para, como, por exemplo, o ministro angolano afirmou já por várias vezes, a casa dos 70 USD, embora os 60 seja considerado como a barreira mínima para que o esforço plasmado no documento assinado em Viena de Áustria possa ser considerado um sucesso.

E nesta entrevista à Bloomberg, Botelho de Vasconcelos sublinha, mais uma vez, que vê sinais emitidos pelos mercados que lhe permitem perspectivar uma subida do barril para os 60 USD “até ao fim do ano”.

Estas afirmações do ministro dos Petróleos surgem na linha daquilo que tem sido a história da economia angolana, sendo ainda hoje a exportação de petróleo que domina todo o sector exportador, com mais de 95 por cento, embora, como o disse ainda ontem o mais que provável próximo Presidente da República, João Lourenço, em Espanha, que a prioridade do seu Governo vai ser a diversificação da economia e a sua libertação da dependência do sector petrolífero.

A diversificação da economia angolana é uma necessidade evidente se se tiver em conta que, nas melhores expectativas, como o disse o ministro, o petróleo chegara aos 60-70 USD, está actualmente pouco acima dos 50 e, para equilibrar o orçamento do Estado, sem outros contributos, precisaria de estar bem acima dos 80 dólares.

Para já, Botelho de Vasconcelos acredita que as coisas vão correr bem e de acordo com os objectivo0s dos cortes assumidos pela OPEP e parceiros não-membros, mas aponta para Novembro a altura para se pronunciar sobre a eventual nova extensão do acordo de cortes para lá de Março de 2018.

Isto, porque a primeira versão do acordo era até Junho deste ano, foi entretanto alargado para Março do ano que vem e, se os preços do barril não desamarrarem, a organização terá, provavelmente, de pensar em novas medidas porque todo este esforço poderá ter sido feito em vão.

Até porque, tal como Angola, há países, como a Arábia Saudita, que sonham diariamente com a abundância permitida pelo petróleo acima dos 100 USD, chegou mesmo aos 147 em Julho de 2008, o que permitiu a Angola viver a década mais desafogada da sua história e ter um crescimento superior a 10 por cento, muito acima da média africana e até mundial. Isto, entre 2007 e 2014.

Neste momento, por forma a não estar dependente das oscilações e dos humores dos mercados, Angola tem insistido num discurso de diversificação económica, essencialmente através da indústria ligeira e do sector agropecuário e agrícola, como o prova a última intervenção de João Lourenço, nomeadamente na melhoria das condições de negócios e de atractibilidade do investimento estrangeiro.

Fonte: Novo Jornal

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