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Adolescentes da capital do país entram cedo para a vida sexual

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Um estudo realizado em Luanda, em 2016, sobre a gravidez na adolescência revelou que 50,1 por cento dos 1.117 inquiridos, entre homens e mulheres, já tiveram pelo menos uma relação sexual e 34 por cento das meninas já estiveram grávidas.

O estudo, elaborado no âmbito de uma parceria entre o Governo e o Fundo das Nações Unidas para a População( UNFPA), não identificou diferenças significativas entre homens e mulheres relacionadas com a experiência de relação sexual.

A pesquisa mostrou que um adolescente fora do sistema de ensino apresentava uma probabilidade de 1,49 por cento de ter uma relação sexual que o adolescente que tem vida escolar. A proporção dos adolescentes inquiridos que já alguma vez tiveram uma relação sexual e não frequentavam o sistema de ensino foi estatisticamente superior, chegando aos 57,7 por cento, que a proporção daqueles que estavam no sistema de ensino (47,8 por cento).

O estudo acentua que existe uma “forte associação” entre o consumo de álcool pelos adolescentes e a sua experiência sexual. O consumo de álcool, de acordo com o estudo, eleva significativamente a possibilidade de o adolescente ter uma relação sexual. Um adolescente que consome bebida alcoólica tem a possibilidade de 5,4 vezes mais de ter uma relação sexual que o adolescente que não consome álcool, alerta o estudo a que o Jornal de Angola teve acesso.

O consumo de droga oferece a mesma perspectiva para uma relação sexual no adolescente que o consumo de álcool. Os adolescentes que informaram que já alguma vez consumiram drogas tiveram uma probabilidade de 4,3 vezes de ter uma relação sexual que os adolescentes que nunca consumiram drogas.

O estudo indica que, entre as consequências da gravidez na adolescência, estão a desistência escolar, expulsão de casa, obrigação de viver com o parceiro, entrada precoce para o mercado de trabalho e o aborto.

Entre os adolescentes inquiridos e com vida sexualmente activa estão 49 por cento que disseram usar preservativo. O não uso de preservativos está associado à indisponibilidade deste método contraceptivo e de prevenção de doenças de transmissão sexual e também à falta de interesse de alguns adolescentes.

O estudo indica ainda que os exames médicos para o diagnóstico de doenças de transmissão sexual mais realizados por adolescentes são para descartar doenças como a Sida e as hepatites B e C.

O estudo recomenda ainda às famílias a acompanharem o desenvolvimento integral dos adolescentes e a melhorarem os instrumentos de educação sexual e saúde reprodutiva.

Aos órgãos de comunicação social o estudo pede que não transmitam conteúdos impróprios para os adolescentes.
A pesquisa recomenda a revisão dos mecanismos de protecção da criança, sobretudo no seio das famílias, a fim de estar mais protegida contra o estupro.

O estudo recomenda também o reforço das actividades de saúde reprodutiva, com a produção de mensagens que apelem à redução do número de parceiros sexuais e à existência de namoro saudável entre adolescentes da mesma idade.

 

Fonte: Jornal de Angola

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