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Angola deve sair da OPEP, defende Pedro Godinho

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Especialista angolano afirma que qualquer investimento pode servir para o crescimento da economia angolana. Para já, avança que a decisão da OPEP pode atrapalhar esse crescimento. Pedro Godinho vai mais longe: Angola deve desistir da OPEP.

 

O Banco Mundial, no seu relatório apresentado recentemente, estima que a entrada em funcionamento de novas explorações petrolíferas no país vai ajudar a recuperação da economia angolana. Para Pedro Godinho, Angola não ganha nada sendo membro da OPEP, organização que tem registado, nos últimos tempos, a desistência de muitos países membros. “Qual é a vantagem de ser membro da OPEP?, questionou “nunca vi e não há nenhuma vantagem em ser membro da OPEP”, argumentou Pedro Godinho.

 

Segundo o especialista, mesmo nos momentos mais difíceis que a economia angolana enfrentou nenhum dos países membro da OPEP ajudou Angola em termos de financiamento. Segundo o especialista em petróleo, em entrevista exclusiva ao ”O PAÍS”, Angola enquanto membro da OPEP vai continuar a estar sujeita as restrições desta organização, em termos de produção, pois uma das estratégias da OPEP é continuar a fazer cortes aos membros da organização sempre que o preço do barril estiver em queda, por formas a reduzir os excessos no mercado.

 

Avança que as multinacionais como a Total, a Chevron, entre outras, têm sempre como objectivo maximizar cada vez mais os lucros. Logo, os cortes feitos pela OPEP acaba por reduzir as suas expectativas de lucros. “Quando Angola assume compromissos com cortes, além de causar danos à economia também causa danos às empresas petrolíferas existentes no país”, frisou. E então, prossegue, muitas dessas multinacionais em função de novas descobertas querem aumentar cada vez mais a sua produção, por exemplo, de 200 mil para 300 mil barris de petróleo e com a decisão da OPEP acabam por reduzir de 200 para 150 barris, só para satisfazer a decisão da organização da qual o país é membro, lembrando que os OPEPs têm como tecto máximo o corte de cerca de 50 mil barris de petróleo por dia.

 

“As empresas produtoras aceitam as limitações impostas pelos países membros da OPEP por uma questão de soberania”, disse. O ex presidente da Câmara de Comércio Angola/EUA entende que se Angola deixar de ser membro e produzir exactamente tal como as multinacionais desejam, vai arrecadar mais dinheiro, que posteriormente vai servir para fazer investimentos noutros sectores de actividade como são os casos da saúde, da educação, da agricultura e não só. Pedro Godinho avança ainda que com isso, Angola, ao invés de produzir 300 mil barris por dia chega a produzir apenas 150, esse diferencial influencia muito, por exemplo, quem produz 300 mil barris a USD 50 são um total de USD 15 milhões por dia e num mês são USD 450 milhões.

 

Com as restrições da OPEP, o país ao invés de ter USD 15 milhões diariamente, fica apenas com USD 7,5 milhões por dia porque só vai produzir 150 mil barris por formas a respeitar a decisão da OPEP. Salientou que esse facto tem feito com que muitos dos investidores deixem de investir no país. “Isso fez com que investidores deixassem de investir aqui no país e fossem investir para outros países”, afirma, acrescentando que “é isso que está a acontecer”. Pedro Godinho fez saber que actualmente, a OPEP tem cerca de 99 países membros dos quais apenas 15 participam nos cortes. Um dos maiores produtores é a Arabia Saudita que produz 11 a 12 milhões de barris, o Irão, o Iraque que se juntaram para os cortes.

 

“Apesar da sua baixa produção, que considero mesmo miserável, também fez questão de aderir aos cortes”, lamentou. Referiu ainda que, quando a OPEP faz os cortes da produção, se o barril estivesse a USD 50 e passasse a 70, os países que não são membros da organização também acabariam por se beneficiar. A título de exemplo, Godinho citou o caso dos EUA que não é membro da OPEP e é um dos países que também beneficia da subida do preço do barril de “ouro negro”. “Os 15 países africanos estão a beneficiar todo mundo”, afirmou.

 

No seu entender, a posição de Angola é tão “insignificante” comparado com os países que produzem 13 milhões de barris, como é o caso da Arábia Saudita. “Angola tem uma produção na ordem de 1.700 mil barris por dia”, lembrou. Reforça que a decisão foi de 1.200 mil barris, enquanto Angola foi solicitada para fazer corte de 47 mil, o que implica dizer que a tendência do preço do barril de petróleo é de continuar a subir. Pedro Godinho justifica que os 47 mil barris de petróleo diários não é nada no mercado internacional, tendo em conta as necessidades exigidas que é de 1.200 mil. “Como podem ver, os 47 mil passam a ser uma “gota no oceano”, comparou.

 

Fonte: Angonotícias

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