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“Austeridade pode gerar tensões sociais” – Vera Daves

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A secretária de Estado para as Finanças e Tesouro foi a Londres, Reino Unido, numa palestra organizada pela Chatam House, reforçar a ideia de que as privatizações em Angola são para avançar e abranger sectores como as telecomunicações, a banca, os petróleos ou a agricultura, mas aproveitou para dar recados e admitir problemas: “O Estado não sabe gerir empresas” e que a austeridade pode gerar “tensões sociais”.

Vera Daves, lembrando que o país tem em curso um plano de privatizações alargado, disse, na segunda-feira, em Londres que “o Estado não é bom a gerir empresas” e que, por isso, é necessário “deixar quem tem mais talento” gerir as empresas englobadas nesse plano.

Porque essa é a única forma de “tornar as empresas mais lucrativas para criarem empregos e ajudarem o país crescer mais”.

A governante sublinhou que este plano de privatizações, que deve ser implementado até 2021, já estava a ser elaborado antes de ter sido assinado o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Como recorda a Lusa, de acordo com um conjunto de documentos publicados em Dezembro no sítio do FMI na Internet, a propósito da ajuda financeira solicitada pelo Governo de Angola, o Plano Nacional de Desenvolvimento angolano prevê a liquidação de empresas estatais inviáveis até 2019 e a privatização de pelo menos 20 empresas estatais não estratégicas e a venda de participações accionistas até 2022.

O documento de suporte ao acordo de assistência entre o FMI e o Governo de Angola refere que as autoridades de Luanda assumiram o objectivo de minimizar o envolvimento estatal directo na economia.

Em concreto, o documento refere que o programa o acordo de assistência prevê, do lado do Governo angolano, o encerramento das empresas detidas pelo Estado em situação de insolvência e a privatização de outras 126 empresas, incluindo 52 participações da petrolífera Sonangol em áreas fora do petróleo, e 10% da transportadora aérea angolana TAAG.

“O governo aprovará um novo programa de privatização dentro de 90 dias. Além disso, pretendemos finalizar a privatização de empresas estatais financeiramente viáveis dentro de dois anos após a aprovação da lei pela Assembleia Nacional”, lê-se.

A secretária de Estado para as Finanças e Tesouro, na mesma ocasião, referiu-se ao impacto possível das medidas de austeridade desenhadas no OGE para 2019, admitindo que Angola vai enfrentar dificuldades.

Admitiu mesmo que podem ocorrer tensões sociais por causa das medidas, nomeadamente no que respeita aos subsídios estatais que hoje existem e que podem ser removidos este ano, como nos combustíveis, electricidade, transportes ou água.

“Provavelmente vamos enfrentar tensões”, disse Daves, sublinhando de seguido o aspecto positivo esperado a partir destas medidas: “Ao fim de dois anos vamos ver os benefícios”.

No espaço de um ano, as pessoas “provavelmente não estarão felizes, provavelmente porque vai mudar a forma como vivemos e vai ser um grande desafio”, mas ao fim de dois anos “vamos ver os benefícios” das medidas.

 

 

  Fonte: Angonotícias

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