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“Brexit” sofre pesado revés

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Os deputados do Parlamento britânico votaram, ontem, contra o acordo assinado entre Theresa May e a União Europeia para o “Brexit”. A votação arrancou às 19h00 e May precisava de 318 votos a favor para levar o acordo avante, conseguindo apenas 202.

Antes da votação final, os deputados britânicos votaram a emenda que dá ao Reino Unido o poder de terminar o backstop sem a permissão da União Europeia – a única das quatro debatidas que foi à votação. A emenda foi chumbada na Câmara dos Comuns por 600 votos contra 24.
Os trabalhistas indicaram entretanto, que vão avançar com uma moção de censura, pouco depois de Theresa May afirmar estar disponível para discutir uma moção de censura, caso a oposição a apresentasse, já hoje.
Os deputados britânicos consideraram quatro propostas de emendas, seleccionadas pelo líder da Câmara dos Comuns, John Bercow, antes da votação do texto principal do acordo do país da União Europeia.
Ao todo, foram submetidas 13 propostas de emenda, reflectindo a ampla variedade de opiniões existente no Parlamento sobre o acordo que o

Governo liderado por Theresa May negociou com Bruxelas.
O documento define os termos da saída do Reino Unido da UE, incluindo uma compensação financeira de 39 mil milhões de libras, os direitos dos cidadãos e um período de transição que mantém o país no mercado único europeu até ao final de Dezembro de 2020.
Uma emenda do Partido Trabalhista, o principal partido da oposição, rejeitava o acordo ao mesmo tempo que recusava uma saída sem acordo, enquanto que uma emenda dos partidos nacionalistas escocês e galês também reprovava o acordo e pedia ao Governo que solicite uma extensão do período de negociação para o \”Brexit\” para além de 29 de Março, para que o Reino Unido não saia da UE sem acordo.
As outras duas propostas de alteração pretendiam limitar a parte mais controversa do acordo, uma união aduaneira temporária com a UE destinada a manter a fronteira aberta entre a Irlanda do Norte e a Irlanda, designada como “backstop”.
A solução de salvaguarda, invocada como principal objecção ao acordo por muitos deputados, foi desenhada para manter a fronteira da Irlanda do Norte com a República da Irlanda aberta se as negociações para um novo acordo não forem concluídas até ao final de 2020.
Uma emenda, apresentada pelo conservador eurocéptico Edward Leigh, exige que o Reino Unido rescinda o acordo se a solução continuar em vigor no final de 2021, enquanto que a proposta do conservador John Baron pede ao Reino Unido o direito de pôr fim unilateralmente ao “backstop”.

Mais uma demissão
Gareth Johnson, um deputado conservador que esteve envolvido nas negociações do “Brexit”, apresentou demissão na segunda-feira.
Numa carta enviada a The-resa May, Johnson explicou antes da votação ontem que tentou conciliar o trabalho com as objecções pessoais ao acordo, mas que não pode continuar a apoiar a posição do Governo, uma vez que o acordo prejudica os interesses do país.
A demissão de Gareth Johnson foi conhecida poucas horas antes de Theresa May regressar ao Parlamento.
Ontem foi votado o acordo negociado pelo Governo com Bruxelas para garantir uma saída ordenada da UE e um período de transição até ao final de 2020, durante o qual serão negociadas as futuras relações entre as duas partes.
Porém, dezenas dos 317 deputados do Partido Conservador e os 10 deputados do Partido Democrata Unionista já haviam ameaçado reprovar o documento devido à insatisfação com a solução de salvaguarda incluída para evitar uma fronteira física entre a região britânica da Irlanda do Norte com a vizinha europeia Irlanda.

Fonte: Jornal de Angola

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