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CFL reitera incapacidade de aumentar salário

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O presidente do Conselho de Administração do Caminho de Ferro de Luanda, Júlio Bango Joaquim, reafirmou, nesta segunda-feira, a incapacidade da empresa para aumentar o salário dos trabalhadores em 80 por cento, como exige a comissão sindical.

Segundo o responsável, que falava em conferência de imprensa, a propósito da greve dos trabalhadores iniciada hoje, a empresa só arrecada mensalmente 36 milhões de kwanzas, pelo que um aumento nessa margem seria impossível.

Informou que a empresa tem uma subvenção de 102 milhões de kwanzas, sublinhando que um aumento de 80 por cento levaria a empresa a pagar, mensalmente, 95 milhões de kwanzas em salários, para os mais de 960 trabalhadores, que têm um salário mínimo de AKZ 40 mil.

De acordo com o gestor, a empresa tem outros encargos obrigatórios, desde a manutenção das locomotivas, reparação, gastos com combustíveis, entre outras, daí ter apelado ao bom senso dos trabalhadores grevistas.

Disse ter encontrado vários problemas sociais que têm sido regularizados e em relação ao caderno reivindicativo dos trabalhadores já foram solucionados 18 pontos, faltando apenas a questão do salário.

Considerou “má fé” a decisão dos trabalhadores em avançar para greve, porque o que a empresa arrecada é insuficiente para suportar o aumento solicitado pela comissão sindical.

Para o responsável, o recomendável seria suspender a greve a partir de hoje, enquanto estão a ser analisadas as formas de resolução do problema levantado pela comissão sindical, justificando que a situação transcendente a capacidade financeira e económica da empresa.

Entretanto, o gestor anunciou estar previsto o arranque de transporte de combustível à província de Malanje, para abastecer a região leste do País, o reforço da capacidade de transporte de passageiros urbanos, a circulação de mais de 30 carruagens para aumentar a capacidade de transporte de passageiros.

Acrescentou que, com a greve todos os projectos param, daí ter apelado ao bom senso dos trabalhadores em retomarem o trabalho.

Os funcionários do Caminho de Ferro de Luanda (CFL) iniciaram nesta segunda-feira uma greve geral, por tempo indeterminado, levando à paralisação de 89 por cento dos 17 comboios que operam no trajecto Bungo/Baia.

Em causa está a falta de acordo entre o sindicato dos trabalhadores e a entidade patronal à volta de um caderno reivindicativo de 19 pontos.

Os grevistas exigem, entre outras condições, um aumento salarial na ordem de 80 por cento, subsídio de alimentação, transporte e de instalação.

Em função da deliberação aprovada na última sexta-feira em assembleia, desde hoje (segunda-feira) os trabalhadores prestam apenas serviços mínimos obrigatórios.

O presidente do Conselho de Administração da empresa referiu, na conferência de imprensa, que estão dispostos a reatar as negociações com a comissão sindical, tendo reconhecido que, com essa paragem, haverá muitos prejuízos para a empresa.

Com a greve por tempo indeterminado, a empresa tem à disposição da população um comboio no período da manhã (7h00), que sai de Viana até ao Bungo, e outro às 16h00, no sentido inverso, que poderão transportar pouco mais de 350 pessoas por viagem.

Deste modo, mais de cinco mil e 300 passageiros ficam privados dos comboios, tendo agora com alternativas os serviços de táxi e autocarro.

Os comboios de carga e os de passageiros interprovincial (Luanda/Cuanza Norte/Malanje), que fazem duas corridas semanais, ficam totalmente paralisados.

O CFL realiza diariamente 17 viagens de comboio suburbano de passageiros, transportando nos três serviços perto de seis mil pessoas que pagam 500 kwanzas em primeira classe, 200 na segunda classe e 30 na terceira classe.

Com a greve, que teve inicio nesta segunda-feira, o Caminho de Ferro de Luanda (CFL) poderá deixar de arrecadar 927 mil e 500 kwanzas/dia, enquanto durar a greve por tempo indeterminado.

 

FONTE: Tpa

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