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Cimeira África-Europa foi um êxito – Manuel Augusto

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A Cimeira de Abidjan foi um êxito “a cem por cento”, a julgar pelos resultados produzidos e pelas excelentes condições técnicas, logísticas e organizativas, providenciadas pela Côte d’Ivoire, afirmou hoje (quinta-feira), em Luanda, o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto.

O diplomata, que falava à imprensa no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, a propósito da reunião de cúpula que juntou cerca de 80 Chefes de Estado e de Governo de África e da Europa, referiu que, pela primeira vez, dirigentes dos dois continentes “despiram-se” das habituais retóricas para discutir assuntos concretos.

Neste particular, apontou o desemprego e a situação económica como as razões que obrigam jovens africanos a rumarem para a Europa a procura de melhores condições de vida, advogando, por isso, a necessidade dos países europeus ajudarem os estados africanos a criar condições que façam com que estes permaneçam nos seus países de origem.

“Como resultado das discussões negociadas ao longo dos últimos dias, por altos funcionários dos dois continentes, no caso africano em Addis Abeba, concluiu-se que para tornarmos essa parceria vibrante e dinâmica temos que tratar de assuntos concretos (…)” enfatizou o ministro.

Manuel Augusto anuiu que a única forma de os europeus inibirem o fluxo da emigração descontrolada no seu continente, é ajudar África a garantir oportunidades de emprego, apostando na capacitação técnica, na educação e na erradicação do analfabetismo e da mediocridade.

Esta 5ª cimeira, realizada de 29 a 30 de Novembro, permitiu os Chefes de Estado e de Governo assumirem a responsabilidade de se mudar o paradigma habitual dos discursos, e “incitar” a Europa a canalizar para África, até 2020, um investimento na ordem dos 44 biliões de Euros, e num prazo mais alargado (30 anos mais tarde – 2050), cerca de 200 biliões de Euros.

“Agora precisamos discutir os critérios e requisitos que nos habilitem a ter acesso a este novo plano de investimento”, salientou o diplomata, adiantando que cada Governo africano deve adoptar políticas de inclusão da juventude nos programas de desenvolvimento locais e de motivação para que estes permaneçam nos seus países.

Explicou que à margem da reunião, o Presidente da República, João Lourenço, manteve encontros separados “muito proveitosos” com altas entidades de distintos estados dos dois continentes,  que, num futuro breve, vão resultar no fortalecimento e/ou melhoria da cooperação bilateral entre os respectivos países, em vários domínios.

Portanto, rematou Manuel Augusto, durante o balanço, que a Europa não está neste processo para fazer favores à África, mas sim para evitar as consequências de uma não colaboração, porquanto, se os europeus ajudarem África a criar oportunidades de emprego por força da sua parceria ao desenvolvimento da agricultura, do turismo e da indústria, estarão a resolver (a médio prazo) o problema de emigração para aquele continente.

Sob o lema “Investir na juventude para um futuro sustentável”, a Cimeira juntou cinco mil participantes de 55 países africanos e de 28 países da Europa, abordando questões como “o futuro das relações UA-UE”, bem como “as parcerias nos domínios da paz e segurança”, “governação, democracia e direitos humanos”.

Esta 5ª Cimeira discutiu, igualmente, temas atinentes à “migração e mobilidade”, “investimento e comércio”, “desenvolvimento de competências e criação de emprego”, na presença de representantes da ONU e de outras organizações internacionais.

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