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Da velha FILDA só restam lembranças, destroços e funcionários sem salários há três anos

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Cerca de noventa funcionários da Feira Internacional de Luanda (FIL), empresa que realizava a maior bolsa de negócios de Angola, estão há 36 meses sem salários. Os trabalhadores voltaram a reunir-se ontem em frente ao que resta das instalações da empresa localizada no Cazenga, para exigir da direcção liderada por Matos Cardoso o pagamento dos seus vencimentos.

“Estamos há três anos sem salário e não compreendemos porquê. A FIL não decretou falência apesar de permitir que as instalações da FILDA fossem vandalizadas, mas ainda assim nós comparecemos uma vez por semana, porque é o único lugar que temos para ficar”, disse ao NJOnline Baião Luís Zengo, coordenador da comissão representativa dos trabalhadores da FIL.

Apesar das constantes reclamações dos trabalhadores, e mesmo depois de já terem escrito varias cartas à Presidência da República, que continuam sem resposta, a direcção da FIL, liderada por Mato Cardoso, continua a não prestar declarações sobre o assunto.

“A direcção da FIL não diz absolutamente nada, as instalações foram vandalizadas e estamos parados sem saber o que fazer. Temos colegas que já estão em idade da reforma e deram toda sua vida à empresa e não se fala a respeito das suas aposentações”, lamentou.

De acordo com Baião Luís Zengo, a FIL, empresa gestora da FILDA, não decretou, até à data, falência, o que significa que as coisas ainda têm “pernas” para andar.

“Mesmo com estes acontecimentos, falta de salários e vandalização das instalações, o Estado e conselho de administração da FIL nunca decretaram a falência da empresa. O senhor Matos Cardoso continua ser o PCA da empresa e nós os trabalhadores”, descreveu.

Entretanto, o coordenador da comissão representativa dos trabalhadores lamentou o facto de o Ministério da Economia ter assumido, há dois anos, a papel de realizar as feiras internacionais de Luanda.

“Antes de o Estado entregar o projecto a uma empresa privada (neste caso a Eventos Arena) deveria ver primeiro a situação dos trabalhadores das instalações da FILDA e salvaguardar os seus postos de trabalho ou passasse também as responsabilidades para o novo gestor de feiras”, disse.

Baião Luís Zengo apela ao ministro da Economia e Planeamento, Pedro Luís da Fonseca, que reúna com os accionistas da FIL para se encontrar uma solução.

“Pedimos encarecidamente ao senhor ministro que junte os accionistas da FILDA, como o BPC, BAI, IGAPE e a própria FIL para definirem o futuro dos trabalhadores que estão há este tempo todo sem os respectivos salários”, implorou.

 

Fonte: Angonotícias

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