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Detenções em Cabinda são feitas por encomenda, diz activista e advogado

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O ativista e advogado Arão Tempo considerou hoje que as detenções que se fazem em Cabinda têm origem “em encomendas” feitas a partir de Luanda, à margem da lei e dos procedimentos que definem a administração da justiça.

Em entrevista à agência Lusa, em Luanda, Arão Tempo salientou que quando as autoridades cabindesas recebem uma ordem para executar, “os órgãos de Justiça inclinam-se” e dão-lhe sequência.

“Até este momento, há encomendas. As prisões em Cabinda são encomendas. Quando se recebe uma ordem para executar em Cabinda, mesmo os órgãos da Justiça e demais inclinam-se nessa atitude, marginalizando a própria lei e os procedimentos que definem uma administração de justiça”, afirmou.

Arão Tempo referia-se sobretudo à detenção de “maios de 70” jovens ativistas do Movimento Independentista de Cabinda (MIC), efetuada entre o fim de janeiro e início de fevereiro último pela polícia cabindesa, estando ainda presos 10 deles, depois de, aos poucos, na sequência da sua intervenção como advogado de defesa, terem sido libertados ao longo do tempo.

“Como ativista e advogado, e junto de outros advogados, estamos agora a aguardar pela acusação do Ministério Público para tomarmos posição. Temos neste momento pouco espaço de manobra. Talvez no tribunal, mesmo que venham a ser condenados, o próprio povo saberá quem tem razão”, referiu.

Segundo Arão Tempo, igualmente líder do Movimento de Reunificação do Povo de Cabinda para a sua Soberania (MRPCS), que afirma ter sido criado em 2002, as detenções foram feitas na sequência de “buscas ilegais e sem qualquer formalismo de busca”.

As detenções, na grande maioria de dirigentes ligado ao MIC, uma organização secessionista recente e que viu também presos o presidente Maurício Bufita Baza Gimbi e o vice-presidente António Marcos Soqui, começaram a efetivar-se dois dias antes da passagem da efeméride alusiva aos 134 anos da Assinatura do Tratado de Simulambuco, razão da luta pela independência do enclave.

 

Fonte: Angonotícias

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