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Embaixada angolana envia protesto diplomático ao Governo português devido a agressão policial no bairro da Jamaica

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O cidadão angolano, residente em Portugal, Hortêncio Coxi, de 32 anos, que foi agredido pela polícia portuguesa no bairro da Jamaica, onde habita, no concelho do Seixal, próximo de Lisboa, foi libertado pelas autoridades judicias portuguesas, mas os protestos multiplicaram-se na Grande Lisboa e alguns sucederam noite dentro, com a destruição de viaturas, ataque a uma esquadra da polícia e dezenas de caixotes de lixo incendiados.

A gravação em vídeo de uma investida de agentes da PSP, da unidade de intervenção rápida, contra uma família angolana, residente no bairro da Jamaica, gerou uma sucessão de episódios que culminaram com uma nota formal de protesto enviada pela embaixada de Angola em Lisboa ao Governo português.

Esse protesto diplomático, segundo a RNA, foi emitido na segunda-feira, dia em que um grupo de cerca de duas centenas de habitantes do bairro da Jamaica, maioritariamente habitado por cidadãos oriundos de países africanos, com destaque para os de língua portuguesa, se deslocou para Lisboa com a intenção de protestar junto do Ministério da Administração Interna (MAI), que corresponde ao Ministério do Interior em Angola, contra as agressões e contra a detenção de Hortêncio Coxi,

O mesmo Hortêncio Coxi garante, segundo relatou aos jornalistas após a sua libertação pelas autoridades judiciais portuguesas, que nada teve a ver com o episódio, que apenas estava a assistir, que não arremessou pedras contra a patrulha policial e que, além disso, voltou a ser agredido enquanto esteve detido sob acusação de ter sido quem atirou a pedra que feriu um dos agentes na cara.

Entretanto, o grupo que se deslocou do Seixal, na margem sul do rio Tejo, a Lisboa, foi recebido por um alargado efectivo policial, incluindo dezenas de agentes da Unidade Especial de Polícia da PSP, criada para responder a situações de forte desordem pública, com alguns episódios de agressões mútuas, especialmente após ter decorrido o protesto junto do MAI, quando, ao final da tarde, parte do grupo de habitantes do Jamaica optou por prolongar o protesto na Baixa da capital portuguesa.

Junto ao Marques do Pombal, conhecida praça da capital portuguesa onde são festejadas as vitórias importantes dos clubes de futebol lisboetas, chegaram mesmo a ocorrer cenas de violência e alguns cidadãos foram detidos pela polícia, que, face ao arremesso de pedras, se viu forçada a disparar balas de borracha para o ar.

Foram detidos quatro dos manifestantes, que se mantiveram a gritar palavras de ordem como “abaixo o racismo” ou “basta de violência policial”.

A mesma violência que a PSP, segundo a versão dos acontecimentos relatada à imprensa em Lisboa, foi usada de novo quando, procurando libertar uma faixa de rodagem na Av. da Liberdade para permitir abrir de novo esta artéria ao trânsito, os agentes da polícia foram alvejados com o arremesso de pedras, ferindo alguns agentes sem gravidade.

Mas a versão dos manifestantes é outra. O arremesso de pedras só surgiu quando foram ouvidos muitos tiros, o que gerou algum pânico entre os manifestantes, e, numa atitude de defesa, surgiu o tal arremesso de pedras.

Depois de a situação ter acalmado, já na segunda-feira, noite dentro em Lisboa, fica, como súmula destes dias tensos após as agressões no bairro da Jamaica, o protesto diplomático da embaixada angolana em Portugal e a entrada de um processo judicial da organização anti-racismo SOS Racismo junto do Ministério Público.

 

Fonte: Angonotícias

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