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Especialista recomenda melhor conhecimento da biodiversidade

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Benguela – O mestre em geociências Miguel Arcanjo Nito defendeu, nesta quarta-feira, a necessidade de maior conhecimento e divulgação da biodiversidade, para se garantir um melhor proveito e sustentabilidade dos seus recursos a favor da população.

Segundo Miguel Nito, que falava à Angop, na cidade de Benguela, a propósito do 22 de Maio, Dia Internacional da Biodiversidade, quando bem cuidada, a natureza contribui significativamente para o bem-estar dos homens, principalmente no combate à fome, uma vez que ela oferece “quase tudo que ele necessita para o seu sustento”.

Por essa razão, sublinhou, os diversos projectos sociais e económicos devem respeitar os estudos de impacto ambiental, de modo a assegurar a sustentabilidade do meio em que se implementa um dado projecto, evitando que muitas vezes resultem em prejuízos para as futuras gerações.

Para tal, acrescentou Miguel Arcanjo Nito, deve-se apostar na investigação científica, o que passa pela criação de viveiros e de um trabalho de catalogação das diferentes espécies paisagísticas, no sentido de ir ao encontro das propriedades das plantas para a vida do homem.

“Outro aspecto que se deve ter em atenção, para o caso específico de Angola, é a observação da legislação que determina que ao abater-se uma árvore, principalmente para produção de carvão vegetal, deve-se plantar duas ou três novas, visando assegurar o equilíbrio ecológico, muito necessário à preservação da biodiversidade”, referiu.

Ainda assim, reconheceu que Benguela dispõe de um parque público, o da Chimalavera, tutelado pelo Ministério do Ambiente, do planalto madeireiro de eucaliptos da Ganda, em direcção ao Huambo, além da província ser também banhada pelo oceano atlântico, detentor de muitos recursos marinhos, o que eleva a responsabilidade de todos, sempre que se pense na perspectiva de se cuidar do meio ambiente para o bem do próprio homem.

Para si, os armadores (detentores de barcos e navios) devem observar as orientações baixadas pelos ministérios das Pescas e do Ambiente, evitando, a título de exemplo, os chamados “arrastões”, apelando para o reforço das acções de fiscalização.

Por seu turno, o ambientalista Arlindo Bonifácio ressaltou o facto das Nações Unidas terem instituído a data no ano de 1992, para reforçar a reflexão sobre a vida na natureza, uma ocasião que tem sido aproveitada por especialistas, governantes e até cidadãos anónimos interessados na protecção do ambiente.

Este ano, a efeméride se comemora sob o lema “Nossa biodiversidade, nossa comida e nossa saúde”.

Para o ambientalista, apesar das dificuldades, Benguela está a conhecer algumas melhorias em termos de recolha de resíduos sólidos, comparativamente ao ano de 2018, o que vai se reflectindo numa melhoria nos níveis de saúde da população.

Destacou o aspecto da saúde, porque a província já esteve em situações piores em anos idos, devido a presença exagerada de lixo nas zonas habitacionais, mas essa realidade parece ter sido ultrapassada.

“Quanto a nossa comida, nós vivemos dos animais e quanto mais animais, mais comida e quanto mais comida, mais resíduos produzidos, um binómio que faz reacender os três eixos para a sustentabilidade das cidades: Educação – por meio de debates e palestras, limpeza e tratamento de resíduos”, disse.

Condenou a prática de queimadas frequentes, lembrando que o gado que alimenta as populações precisa de vegetação, além de que, várias espécies são necessárias, tanto para fins alimentares como para fins medicinais.

O Dia Internacional da Biodiversidade é comemorado anualmente em 22 de Maio. Esta data, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), visa consciencializar a população mundial sobre a importância da diversidade biológica, além da necessidade de protecção da biodiversidade em todos os ecossistemas do planeta.

 

Fonte: Angop

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