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Estiagem provoca fome a mais de três mil famílias

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Cerca de  três mil e 55 famílias do município dos Gambos, província da Huíla, estão afectadas pela fome devido a rotura de stock de alimentos, provocadas pela falta de chuvas que comprometeu as principais culturas de cereais, revelou, ontem, o administrador local.

Elias Sovas, que falava no acto de abertura da reunião do Concelho Municipal de Auscultação e Concertação Social, orientada pelo governador da Huíla, Luís Nunes,  disse que as famílias mais afectadas são as das localidades de Tyitongotongo, Fimo, Taka, Tyiku e Typeio.
Informou que a região, caracterizada por clima semi-árido, propenso a estiagens cíclicas, volta a registar falta de chuvas e deixa, consequentemente, as culturas de milho, massango e massambala  comprometidas na presente campanha agrícola, lançada em Outubro do ano findo.

O administrador municipal revelou que a falta de chuvas afecta 76 mil e 50 cabeças de gado bovino e caprino, nas áreas  do  Vale do Chimbelo, onde há reservas de pastos mas falta de água.
“Aqui chove pouco e as estiagens são constantes e têm reflexo directo na situação social das famílias, o que implica a reedificação das políticas públicas para a região, habitada por povos pastoris”, defendeu Elias Sovas.
Na óptica do responsável, para se ultrapassar o imbróglio que a seca causa, deve ser construída uma barragem sobre o rio Caculuvar, proceder-se a abertura e o desassoreamento de Chimpacas, reabilitação e instalação de represas, abertura de novos pontos de água e melhoramento da situação zoo-sanitária do município.
“ Estas acções vão reforçar as condições para a resiliência das comunidades, no sentido de terem alternativas para quebras do ciclo recorrente das alterações climáticas”, sustentou.
O administrador disse que  vão ser abertos 19 pontos de água em igual número de localidades para beneficiar cerca de sete mil e 533 pessoas.

Campanha agrícola
Por seu lado, o  director municipal da Agricultura explicou que, desde Outubro passado, o município registou menos 100 mililitros de água, contra os 600 mililitros necessários para uma campanha agrícola com grandes índices de produção.“A presente época agrícola está praticamente comprometida,em função da falta de chuvas”, disse Lutero Campos.
Segundo o responsável,  o plano inicial de produção desta campanha para o município, era de  29 mil e 375 hectares. “É de lamentar que até agora não temos culturas vivas por escassez de chuvas”, desabafou, para adiantar: “as autoridades  locais têm sensibilizado os camponeses para aproveitarem as zonas baixas dos rios para as culturas alternativas e para apostar na criação de pequenos ruminantes e aves”.
O governador provincial, Luís  Nunes, prometeu como medidas imediatas para minimizar a falta de chuva, a instalação de sistemas de captação de água subterrâneos e  apoios alimentares às famílias mais afectadas.
Luís Nunes ofereceu um kit de produtos alimentares e de higiene à população da localidade de Tyipeio, situada a 50 quilómetros da sede municipal. O rei Katende ko Ndjamba  também recebeu do governador  materiais diversos depois da audiência que lhe foi concedida..
O município dos Gambos, situado a 150 quilómetros do Lubango, tem 79 mil e 462 habitantes, maioritariamente camponeses criadores de gado.

 

Fonte: Jornal de Angola

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