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Estudo do UNFPA apura que familiares são os primeiros parceiros sexuais

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Estudo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Ministério da Juventude e Desportos sobre “Gravidez na adolescência” demonstra o drama em que familiares, pai, padrasto, tio, prima, foram os primeiros parceiros sexuais.

O estudo realizado na província de Luanda, em 2016, indica que na lista dos parceiros na primeira relação sexual dos adolescentes constam cinco referências ao pai (mãe) ou padrasto (madrasta), duas ao tio, seis a adultos por inerência da tradição e catorze ao primo. Estas categorias agrupadas, refere a pesquisa, convencionaram a variável “primeira relação sexual com alguém da família”, que corresponde a 4,8% de todos os adolescentes sexualmente activos do estudo.

O estudo adianta ainda que, a média de idade da primeira relação dos adolescentes com alguém familiar foi significativamente inferior (13,56) à média de idade com outros parceiros (14,32). Os entrevistados reportaram histórias sexuais que ocorrem no meio familiar. Análise revela que a proporção de meninas que mantiveram a sua primeira relação sexual com algum familiar não difere da proporção de rapazes no mesmo quadro.

O estudo revela que as meninas estavam mais associadas à relação sexual com o pai (ou padrasto), com o tio ou com algum mais velho tradicional, enquanto os rapazes estão mais associados à relação sexual com a prima. A pesquisa destaca que o início de uma relação precoce decorre das influências de amizades, além da curiosidade, de rituais de iniciação, e nalguns casos, de estupros e violação.

Idade da primeira relação sexual

O documento publica as estatísticas da idade na primeira relação sexual, sendo que a idade média da primeira relação sexual foi de 14,29 anos de idade, com um desvio padrão de 1,97 anos. A idade mínima foi de 7 anos de idade, a máxima de 19 anos de idade e uma mediana de 15 anos. A idade da primeira relação sexual, à luz do estudo, apresenta uma ligeira assimetria negativa, constatando-se daí que a maior parte dos adolescentes praticou a sua primeira relação sexual acima da idade média calculada. A análise ilustra ainda que a faixa etária dos 7 aos 8 anos se referem a ocorrências fora do comum, casos extraordinários, enquanto a idade média da primeira relação sexual dos rapazes (14,17) não difere estatisticamente da idade média da primeira relação sexual das meninas (14,37).

Influência da urbanização

O nível de urbanização das residências dos adolescentes apresenta uma associação significativa com a idade da primeira relação sexual. A pesquisa demonstra uma forte relevância estatística que à medida que melhora a urbanização das áreas de residência dos adolescentes, eleva também a idade da primeira relação sexual do próprio adolescente.

Os adolescentes de áreas rurais, insiste ainda o relatório, mantiveram a sua primeira relação sexual mais cedo (idade média 13,21), que os adolescentes das áreas periurbanas (idade média da primeira relação sexual 14,22) e estes mais cedo que os adolescentes da zonas urbanas (idade média da primeira relação sexual 14,92).

Este aspecto, indica, igualmente, o documento, se pode constatar também na análise à zona de residência dos adolescentes. Os da zona centro (área maioritariamente urbana) fizeram a sua primeira relação sexual mais tarde que os adolescentes da zona sul. Os adolescentes da zona norte de Luanda fizeram a sua primeira relação sexual mais cedo que todos outros. O consumo de bebidas alcoólicas e de drogas apresentaram também associações significativas com a idade da primeira relação sexual.

Os adolescentes que consumiam bebidas alcoólicas e os que consumiam drogas tiveram uma idade média da primeira relação sexual mais baixa do que os adolescentes que não consumiam esses produtos. É observável que aos 12 anos de idade 6,4% dos adolescentes já alguma vez tiveram relação sexual. Aos 15 anos de idade a proporção sobe para 44,6% e aos 19 anos para 86,6%.

 

Fonte: Angonotícias

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