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França/Angola: livro sobre dos Santos chega às livrarias

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A história da família de José Eduardo dos Santos é o foco de um livro publicado nesta quarta-feira, 2 de Outubro em França pela editora Karthala. A obra da autoria de Estelle Maussion descreve a teia de influências do antigo presidente angolano numa obra concebida no estilo de um romance.

“La dos Santos Company; Mainmise sur l’Angola” é um livro estruturado numa narrative non fiction, um estilo que se aparenta com o de um romance, para descrever a saga da família de José Eduardo dos Santos.

A autoria do mesmo (cuja tradução aproximativa seria “A empresa dos Santos: o controlo de Angola”) é de Estelle Maussion, antiga correspondente em Angola da RFI e da agência noticiosa AFP, entre 2012 e 2015.

A jornalista, especialista em assuntos africanos, descreve aqui a rede de influências do antigo presidente angolano e analisa o fim do seu reinado de quase quatro décadas.

A família dos Santos: as benesses dos filhos, nomeadamente Isabel ou José Filomeno, são partes importantes da intriga.

A organização do partido que governa Angola desde a independência, o MPLA, e a transição implementada desde a chegada ao poder do seu sucessor, João Lourenço, nas hostes do movimento e, globalmente, à escala do país constam dos ingredientes do livro.

A autora admite a dificuldade em ter acesso a alguns dos protagonistas da obra, não obstante as múltiplas tentativas de entrevista para o efeito.

O advogado francês de Isabel dos Santos, ainda antes da respectiva publicação, tinha mesmo pedido um direito de resposta para, posteriormente, alegar que a sua cliente não pretenderia tomar posição.

O livro, por ora editado em francês, poderia a prazo vir a ser traduzido para português e ser colocado, por isso, no mercado angolano em função da evolução dos contactos com editores lusos para o efeito.

A autora, em entrevista à rfi, garante continuar a acompanhar a actualidade angolana a par e passo, tendo voltado a Luanda para as eleições gerais de 2017, nomeadamente. Sobre o regime de dos Santos Estelle Maussion lembra que “oficialmente” se tratava de “uma democracia”, mas que “este regime, este sistema teve características de um regime autoritário.”

A autora exemplifica com o facto de “o presidente e o seu partido, o MPLA, decidiram de tudo; até que se falava de um partido Estado”!

Ela descreve ainda “um verdadeiro culto da personalidade do chefe”, o que se chama em Angola a bajulação”.

Esta especialista de Angola alega que sobre “o nepotismo oficialmente nada disso aconteceu.”

Estelle Maussion refere, porém, que houve “nomeações problemáticas” como sendo a da filha do presidente, Isabel dos Santos para “presidente do Conselho de administração da Sonangol, a companhia petrolífera”.

Outra nomeação tendo sido a de José Filomeno dos Santos, também ele filho do ex chefe de Estado, para dirigir o “Fundo soberano de Angola”.

Maussion admite que “claro que a família dos Santos contesta esta versão” mas diz não ser a única pessoa a questionar estas práticas.

A autora lembra as declarações de João Lourenço, no seu primeiro discurso como presidente do MPLA, “usando mesmo as palavras: nepotismo e corrupção, falando, eu cito, de “inimigos públicos número um” que o país teria de combater”.

“É isso que eu queria mostrar e contar” remata Estelle Maussion.

Fonte: Angonotícias

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