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Guerra aos bajuladores começa na cúpula do MPLA

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Ao termo do 6º congresso extraordinário do MPLA, o Presidente da República terá feito por ajustar o discurso à prática, quanto mais não seja no que diz respeito à bajulação, um fenómeno que ele reputou como um mal que a sociedade deve combater energicamente.

Um sinal do que parece ser o firme compromisso de João Lourenço para que as coisas, no ‘departamento’ da bajulação, não voltem a ser como dantes, está no facto de não se detectar, entre os membros do novo Bureau Político do MPLA, a presença de nenhum dos oportunistas que se bandearam para as fileiras “lourencistas” mal perceberam que JES tinha irremediavelmente perdido a guerra.

Estes bajuladores, que com tal comportamento disseminaram a falta de ética entre a nossa classe política, são geralmente constituídos por jovens juristas, economistas e licenciados em relações internacionais. Quase todos eles docentes universitários que vinham tendo bastante intervenção como analistas na imprensa pública, um expediente que usavam enviesadamente para lograrem a sua ascensão política e mobilidade social.

Foi por essa via que, nos derradeiros estágios do consulado de José Eduardo dos Santos, muitos deles foram promovidos a cargos elevados na liderança do MPLA e na governação do país, sendo exemplos disso, para citar apenas dois nomes, Norberto Garcia e António Luvualu de Carvalho.

“Com a sua ascensão lograda por via da bajulação, quando não pelo truque e pelo golpe baixo, tais indivíduos não estimulavam os demais jovens da sociedade a conquistarem a sua mobilidade social por via do mérito técnico-científico”, diz ao Correio Angolense Figueiredo Fontoura, estudante finalista de Ciência Política.

O facto de indivíduos como Luvualu, Norberto ou até mesmo João Pinto não terem sido compensados com um lugar no órgão de cúpula do partido revela, efectivamente, que João Lourenço está a ser coerente com o seu discurso, esperando-se que assim prossiga.

No discurso com que encerrou o conclave do MPLA, João Lourenço foi claro ao colocar a bajulação numa lista de males a combater energicamente, com destaque para a corrupção, o nepotismo e a impunidade. Vícios que, segundo o novo líder do partido, se implantaram em Angola nos últimos anos e que muitos danos causam à economia e afectam a confiança dos investidores, porque minam a reputação e credibilidade do país.

“Estes males apontados aqui são o inimigo público número um, contra o qual temos o dever e a obrigação de lutar e de vencer”, sublinhou, categoricamente, João Lourenço, indicando que “nesta cruzada de luta, o MPLA deve tomar a dianteira, ocupar a primeira trincheira, assumir o papel de vanguarda, de líder, mesmo que os primeiros a tombar sejam militantes ou mesmo altos dirigentes do Partido, que tenham cometido crimes, ou que, pelo seu comportamento social, estejam a sujar o bom nome do Partido.”

 

Fonte: Correio Angolense

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