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Irão defende referendo sobre programa nuclear

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O Presidente do Irão, Hassan Rouhani, defendeu hoje que o país pode realizar um referendo sobre o programa nuclear, noticiou a agência de notícias IRNA.

 

A agência avançou que Rouhani fez a sugestão numa reunião com editores das principais cadeias de notícias iranianas.
Rouhani lembrou que já tinha anteriormente sugerido um referendo ao líder supremo Ayatollah Ali Khamenei, em 2004.
Na altura, disse, Khamenei aprovou a ideia e que embora não houvesse nenhum referendo, uma votação deste género poderia ser solução “a qualquer momento”, acrescentou.
O líder supremo do Irão, Ayatollah Ali Khamenei, expressou na quarta-feira a divergência com o Presidente, Hassan Rouhani, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, quanto ao acordo nuclear com as potências internacionais.
O líder supremo do Irão tem a palavra final sobre todos os assuntos de Estado.
As suas observações mostram as pressões internas a que agora estão sujeitos Rouhani e Zarif, quando o país está sob sanções dos Estados Unidos da América.
No início do mês, o Presidente do Irão deu 60 dias às potências mundiais para se negociar um novo acordo nuclear, caso contrário retomará o enriquecimento do urânio, e anunciou a redução de compromissos firmados no pacto de 2015.
O anúncio do líder iraniano foi feito num discurso à Nação e teve lugar um ano após a decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de retirar os Estados Unidos do acordo nuclear e de retomar as sanções contra Teerão.
Rouhani disse que o Irão quer negociar novos termos com os demais signatários do acordo, mas reconheceu que a situação era grave.
O Irão enviou também hoje cartas, nas quais informa da decisão os líderes do Reino Unido, China, União Europeia, Rússia, França e Alemanha, todos signatários e apoiantes do acordo nuclear.
“Se os cinco países se juntarem às negociações e ajudarem o Irão a alcançar benefícios no campo petrolífero e bancário, o Irão retomará os compromissos assumidos no acordo nuclear”, garantiu Rouhani.
Nos termos do acordo, o Irão pode manter reservas que não podem exceder mais de 300 quilos de urânio de baixo índice de enriquecimento, um valor muito distante dos dez mil quilos de urânio enriquecido que já possuiu.
A pressão sobre o sector petrolífero aumentou no mês passado, quando Washington decidiu não renovar as isenções para a compra de petróleo cru iraniano por parte de oito países, incluindo grandes importadores, como a China, a Rússia e a Turquia.
Além disso, o Departamento de Estado dos EUA anunciou a imposição de novas sanções com o objectivo de restringir o programa nuclear iraniano.
A Europa adoptou uma série de medidas para tentar neutralizar as sanções dos EUA, incluindo um canal de pagamento especial mas, por enquanto, sem sucesso.
Os EUA consideram haver “uma ameaça credível” por parte de Teerão, que justifica a intensificação da sua presença militar na região.

 

 

Fonte: Jornal de Angola

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