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Ministro de Estado nega tratamento xenófobos a congoleses

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O ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, Pedro Sebastião, negou este sábado, no Dundo, Lunda Norte, que o governo angolano tenha dado tratamento xenófobo aos congoleses da República Democrática (RDC) em situação ilegal e consequente expulsão compulsiva.

O igualmente coordenador da “Operação Transparência” refutou esta “campanha” em conferência de imprensa, que visou avaliar o andamento do processo, reafirmando que os congoleses e outros cidadãos ilegais que exploravam e vendiam ilegalmente diamantes estão a regressar voluntariamente às origens.

Considerou ainda “completamente” falsas as informações de alegados massacres de congoleses democráticos, afirmando que, apesar de o território angolano “ter parecido um território de ninguém”, numa menção a desordem resultante da exploração ilegal de diamantes, hoje há uma convivência salutar com os cidadãos da RDC em situação legal.

O governo angolano pretende com esta operação repor a legalidade e ordem na exploração de diamantes, permitindo o controlo efectivo de uma das riquezas do país, o diamante, sem práticas de actos suspeitáveis de violar os direitos humanos.

Sobre eventuais constrangimentos que a RDC pode viver, país com o qual Angola partilha uma fronteira de mil e 200 quilómetros, numa altura em que se prepara para realizar eleições em Dezembro, afirmou que “a operação ocorre num momento em o país criou as devidas condições”, dentro da estratégia da recuperação económica, gizada pelo novo governo.

Relativamente a eventual intenção do governo da RDC repatriar angolanos em situação ilegal, no quadro da acção de reciprocidade, admitiu que o mesmo pode ocorrer, desde que os angolanos ali residentes estejam à margem das leis migratórias.

Angola partilha mil e 200 quilómetros de fronteira com a RDC, espaço muito longo mas que o Executivo, segundo avançou o governante, prometeu novos esforços após o fim da Operação Transparência, aprazada para 2020, para por cobro as violações constantes da área comum.

A Operação Transparência decorre nas províncias da Lunda Norte, Lunda Sul, Malanje, Moxico, Bié e Uíge.

Números da operação sobem em sete dias

Desde o último balanço, há semana, as autoridades apreenderam mais de 17 mil quilates de diamantes, 14 jangadas, fecharam-se 231 casa de venda de diamantes contra 100, 47 de lavarias e 90 cooperativas contra os anteriores 67.

Relativamente ao regresso voluntário dos garimpeiros congoleses houve um registo de 380 mil cidadãos mais 120 mil em relação ao período anterior, além da recuperação de 71 dragas, um milhão de dólares norte-americanos e sete armas de fogo.

Angola mantém apoio aos refugiados da RDC

O governo angolano reafirmou total apoio aos 30 mil refugiados congoleses que se encontram no centro de acolhimento do Lóvua, por serem povo irmão que necessitam da solidariedade e cooperação entre país vizinho com relações excelentes de longa data.

Reconheceu que em vésperas das eleições, as autoridades angolanas, com base nas relações históricas e de irmandades que os liga, manterão os apoios aos refugiados concentrados no centro de acolhimento do município do Lóvua.

Estrangeiros confirmam regresso voluntário

Com a implementação da Operação Transparência, alguns imigrantes ilegais de diferentes países que residiam na província da Lunda Norte disseram não existir mais necessidade de continuar nesta parcela de Angola.

Ervé Ecibungula, congolês democrático de 28 anos de idade, confessou que o garimpo era o seu “ganha pão”, que lhe permitia sustentar uma filha que teve em Angola, resultado de uma relação conjugal que manteve com uma angolana.

Considerou que a medida do governo angolano é justa, porém lamenta o facto de não ter aproveitado nada durante os cinco anos de exploração ilegal de diamantes.

“A minha mulher ficou com a minha filha no Lucapa (município da Lunda Norte) e não sei como será”, lamentou à Angop, durante declarações cedidas na fronteira, quando regressava à sua terra natal, RDC.

O mauritaniano Sherif Muhamed Nava, líder de 500 cidadãos desta comunidade residente da Lunda Norte, congratulou-se com a operação transparência, muito por estar a permitir que os ilegais regressem às origens com os seus bens, é o caso de 80 compatriotas seus.

Testemunhou que tanto os seus patriotas como os congoleses, voltaram voluntariamente num clima de alegria, nostalgia e solidariedade. Houve, no início da operação, casos esporádicos de incompreensões entre a população e as autoridades resolvidas oportunamente.

 

FONTE: Tpa

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