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O meu Partido é Angola e o meu candidato Angolano

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Restam apenas dez dias até às eleições no nosso País e várias são as questões que vão surgindo. Afinal, 2017 será lembrado tanto como um ano de crise como, também, da tão esperada mudança. Com o registo eleitoral feito, está na hora de votar. Está quase na hora em que questões como “Em quem votar?”, “Que parâmetros utilizar para eleger o melhor candidato, o melhor partido?”, “Que mudança queremos ver no nosso País?”, “Que requisitos esperamos ver no próximo “Chefe de Estado”?”, serão respondidas nas urnas. Deste modo, neste breve artigo exponho sucintamente as minhas expectativas apartidárias não só em relação aos candidatos e respectivos partidos políticos, mas como, também, em relação a nós, cidadãos angolanos, de Cabinda ao Cunene e Diáspora.

Após um longo período e tentativas frustradas para a realização do Registo Eleitoral, é seguro dizer que pelo menos uma boa parte da população está registrada e legível para votar. Em conversa com vários jovens angolanos – com opiniões e realidades totalmente divergentes – desde o dia em que a data das eleições foi oficialmente confirmada até à semana que findou, pude concluir que no meio de tanta crise, tanto descontentamento por faltas de emprego, pelas condições de vida precárias marcadas pela falta de acesso a água potável e energia elétrica, assolam ainda muitas dúvidas, expectativas e, por incrível que pareça, cada vez mais vontade de lutar e contribuir para um país melhor e promissor. Contudo, muitos se sentem traídos, preocupados, desencorajados e desiludidos por tal força de vontade não ser correspondida por diversas razões bastante controversas. Diante de tais declarações, aqui vai o meu apelo a todos os candidatos, partidos e futuros governantes:

Somos um país rico, disso não há dúvidas, mas o nosso maior problema está na gestão de tal riqueza. Todos os anos são anunciadas novas infrastructuras construídas ou em vias de construção. Infrastructuras tais que, muitas vezes, geraram vários transtornos e que simplesmente não duraram ou foram abandonadas após a sua inauguração. Porém, agora mais do que nunca, não precisamos de quantidade, precisamos de qualidade. De nada vale construir 1000 escolas por quadrimestre se não podermos contar com professores e ensino qualificados. De nada vale termos mais hospitais e continuarmos a deixar pessoas morrer por falta de pagamento, por incompetência técnica, ou mais agravante, por falta de utensílios e equipamentos médicos fundamentais. De nada vale termos mais casas sem saneamento básico. Com isto, quero dizer que o nosso problema, vai para além do dinheiro, vai para além da riqueza que vem do nosso próprio solo. O nosso problema é de base, está na nossa mentalidade e na forma como temos conduzido o nosso país. O nosso problema está na falta de investimento no que é NOSSO.

Temos jovens criativos, trabalhadores e aptos para trabalhar em diversas áreas, mas que, ainda assim, sentem a necessidade de maior investimento a nível de formação e conhecimento do seu próprio País. Temos jovens destemidos e prontos para dar o seu melhor, mas que não conseguem oportunidades por falta de qualificações requisitadas. Agora, eu pergunto-me, de que vale querer elevar os requisitos para a contratação de pessoal, se tais requisitos não são cultivados desde cedo na formação dos indivíduos? Acredito que não seja por falta de vontade de aprender ou ensinar, mas sim por falta de incentivos e/ou até mesmo por falta de recursos. É perante esta situação que sugiro que não desistam dos nossos jovens, e agora mais do nunca, não descartem o talento que temos dentro e fora do país, talento NOSSO, talento PURO, talento necessário para o nosso desenvolvimento, e que oportunidades sejam criadas. Foco-me nos jovens, pois somos o presente e os responsáveis pela construção de um futuro melhor para as gerações vindouras. Pois, enquanto continuarmos a deixar o nosso crescimento a mercê de estrangeiros, jamais seremos capazes de conduzir o nosso país, passo a passo, com as nossas próprias pernas.

Contudo, considero que um governo não faz um país, a sua população sim o faz. Por esta razão, apelo também a nós, cidadãos angolanos. Não existe um governo corrupto, sem uma população que se deixa corromper. Por mais controversa que esta afirmação possa parecer, ela reflecte uma realidade que por vezes nós nos recusamos a entender. A corrupção começa connosco, ela está presente nas nossas pequenas ações diárias. A corrupção começa quando subornamos professores com “gasosas” para transitar de ano. A corrupção começa quando invejamos o trabalho do outro de tal forma que, ao invés de tentarmos aprender, decidimos boicotar. A corrupção começa quando o amor pelo poder é tal, que nos esquecemos de ouvir a voz do povo. A corrupção começa quando deixamos de olhar uns para os outros como filhos da mesma nação. Ultimamente, temos suplicado por mudança, por melhores condições de vida, mas esquecemo-nos que a verdadeira mudança começa dentro de nós, enquanto indivíduos. Não descarto a responsabilidade que um Governo tem em promover tal mudança, mas de nada vai valer criar condições se nós não soubermos usufruir das mesmas da melhor maneira, sem trapacear. Por conseguinte, desta vez apelo aos nossos jovens para que não tenham pressa de subir na vida e que, por mais difícil que seja a situação, não desistam dos seus sonhos e ambições. Há espaço suficiente para cada um de nós brilhar e deixar a sua marca. Na falta de oportunidade, sejamos criativos e destemidos, e vamos criar e inovar, enaltecendo sempre as nossas raízes. Somos uma geração privilegiada e com acesso a informações necessárias. Não só temos a internet como, também, temos os nossos mais velhos que são uma biblioteca de acontecimentos, descobrimentos e tradições das quais, por alguma razão não tivemos acesso. Vamos atrás da informação, vamos questionar o que lemos, vamos atrás da nossa origem, do nosso passado, vamos reconstruir uma Angola para Angolanos. Está na hora de acordarmos para o potencial que temos no nosso país e mostrarmos a nós mesmos que somos capazes.

Por fim, gostaria de ressaltar que devemos nos envolver nos assuntos do nosso país, independentemente do resultado destas eleições. Está na hora de aceitarmos que teremos sempre opiniões divergentes em diversos assuntos e que críticas são necessárias para o nosso crescimento. Está na hora de aprendermos a ser criticados e saber responder a tais críticas com transparência, factos coerentes ou até mesmo saber aceitar as mesmas e melhorar. A partir do momento em que, por meio de debates, nos permitirmos ouvir diferentes pontos de vista e começarmos a entender e, até certo ponto, respeitar perspectivas diferentes, seremos capazes de tomar medidas que sirvam os interesses de TODOS os angolanos. Por isso, não me canso de motivá-los a se envolverem activamente na tomada de decisões e fazerem parte da construção do nosso destino. É chegada hora de nos deixarmos ficar por meras reclamações e discursos vazios, e pensar adiante. Queremos soberania e desenvolvimento? Então ajamos como soberanos e, em conjunto, pedra a pedra, investir no nosso país, na nossa cultura, no nosso povo. Desta forma, apelo para que jamais nos esqueçamos que, independentemente do resultado, o nosso partido será sempre ANGOLA e a nossa prioridade, os ANGOLANOS.

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/o-meu-partido-é-angola-e-candidato-angolano-lorena-cristiano

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