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Prostituição é uma realidade assumida pelas praticantes

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Na Esplanada “Às Mangueirinhas”, junto dos postos de abastecimento de combustível da Pumangol e Sonangol, à saída de Ndalatando, em direcção a Luanda, a partir das 19 horas, são visíveis mulheres, aparentemente entre os 18 e 40 anos, trajadas de calções curtos, colãs ou outras roupas extravagantes, resistindo ao frio que ainda se faz sentir na urbe.

À primeira vista, parecem ser jovens convivas do espaço em causa, mas, na verdade, trata-se de “trabalhadoras do sexo”, cuja actividade é feita sem o mínimo de pudor. Quando pára uma viatura defronte “Às Mangueirinhas”, elas, geralmente em grupos de quatro ou cinco aparecem a exteriorizar simpatia e, mais tarde, o negócio termina em relações sexuais.
JB (a abreviatura é propositada) disse que “é preciso ser meiga para conquistar a sensibilidade do cliente”. A opção pelas “Às Mangueirinhas” deve-se à necessidade de atrair os numerosos camionistas oriundos de diversos pontos do país que escolhem o local para repousar.

“Também aparecem homens de todos os estratos sociais residentes em Ndalatando, mas os preferidos são os operários chineses que escalam a região, alegadamente por fazerem sexo rápido e pagarem ligeiramente mais do que qualquer outro cliente local”, conta a jovem.

JP, 27 anos, disse ao Jornal de Angola que a intimidade com os camionistas é tanta ao ponto de combinarem o acto sexual através das redes sociais WhatsApp ou Facebook, como uma espécie de reserva após à chegada a Ndalatando, evitando que procure por outras mulheres.

Por razões económicas, Mimi, 35 anos, mãe de três filhos, separada do marido, há 10 anos, disse que anda a prostituir-se há oito anos. Sem emprego, parou de estudar na 5ª classe e viu na prostituição a solução para suprimir algumas despesas pessoais diárias e do seu agregado familiar. Persuadida por amigas, Delfina, 28 anos, mãe de dois filhos, disse que enveredou pela “profissão mais antiga do mundo” porque ganha-se dinheiro rápido, que serve para o auto- sustento e para cuidar de outros vícios.

O acto sexual pratica-se maioritariamente no interior de camiões estacionados, nalguns casos no capim. Outras vezes em outros locais. Em Ndalatando, “Às Mangueirinhas” é, provavelmente, o maior ponto de concentração de jovens “trabalhadoras do sexo”, depois da área do “Cabrité”, paragem obrigatória do bairro Azul, nas imediações da Delegação da Angop.

Se antigamente era uma prática feita às escondidas, hoje a prostituição no Cuanza-Norte é um acto assumido abertamente pelas mulheres que aderiram a esse mundo. Esta prática estende-se pelos municípios de Cazengo, Cambambe, Lucala, Samba-Cajú e Ambaca, que perfazem 50 locais de concentração, no dizer da directora do Gabinete Provincial da Saúde, Filomena Wilson.

Custos do acto sexual

Por cada acto sexual, JB cobra a quantia de 2.000 kwanzas. Se o cliente tiver outras necessidades como, por exemplo, sexo oral, anal, beijos e carinhos o valor sobe para 5.000 kwanzas.

Noutras situações, as moças são arregimentadas pelos clientes da rua para um local de convívio, sendo “As Mangueirinhas” e o “Cabrité” os sítios mais preferidos. Ali o parceiro paga as bebidas, o churrasco de frango ou cabrito. Divertem-se e no final acabam por dormir juntos num local a critério do homem.
Em Ndalatando, essa modalidade de pegar uma jovem num determinado ponto de concentração, levar a um convívio e mais tarde passar a noite num hotel ou pensão é conhecida por “Criar uma ideia”.

No ordenamento jurídico angolano, a prostituição não está tipificada como crime, mas considera-se ultraje público ou atentado ao pudor”. Por ser prática cada vez mais comum no país, há correntes que defendem a sua legalização como forma de o Estado angariar receitas fiscais.

Fonte: Jornal de Angola

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