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Rui Pinto é fonte do “Luanda Leaks”

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Luanda – O processo mediático “Luanda Leaks” sobre os negócios da empresária angolana Isabel dos Santos pode ter como fonte o hacker português Rui Pinto, admitiu, esta segunda-feira, o seu advogado, William Bourdon, citado pelo The New York Times.

Segundo Willian Bourdon, o português Rui Pinto é “o Snowden da corrupção internacional”, admitindo que o “Luanda Leaks” será trunfo invocado pela defesa em sede de julgamento.

O hacker Rui Pinto será mesmo a fonte dos documentos do “Luanda Leaks” sobre os negócios de Isabel dos Santos, disse o advogado francês que está com o hacker português desde o caso “Football Leaks”, de que também foi denunciante.

Os documentos do “Luanda Leaks” terão sido entregues por Rui Pinto a William Bourdon.

Segundo o The New York Times, “uma noite, em Budapeste, em 2018, depois do jantar, Pinto disse ao seu advogado que acreditava ter encontrado informação que revelava como Isabel dos Santos tinha obtido a sua fortuna de 2 mil milhões”.

Os dados foram depois entregues à Plataforma Para Protecção de Whistleblowers em África (PPLAAF), de que o advogado francês é director.

Whistleblowers é toda pessoa que espontaneamente leva ao conhecimento de uma autoridade informações relevantes sobre um ilícito civil ou criminal.

Segundo o comunicado lançado na segunda-feira, os documentos entregues por Rui Pinto, no final de 2018, foram depois partilhados com o Consórcio de Jornalistas Internacionais (ICIJ), para tratamento mediático.

O resultado desta investigação de 120 jornalistas de 36 meios de comunicação social em 20 países tem sido publicado nos últimos dias, com várias consequências reais, como a investigação interna da firma de consultoria PricewaterhouseCoopers (PWC), a saída de Isabel dos Santos do EuroBic e da Efacec, já anunciada, e o abandono dos seus advogados.

Segundo a nota enviada à imprensa, os advogados de Rui Pinto assumem que este entregou à PPLAAF “um disco rígido contendo todos os dados relacionados com as recentes revelações sobre a fortuna de Isabel dos Santos, sua família e todos os indivíduos que podem estar envolvidos nas operações fraudulentas cometidas à custa do Estado angolano.

A mesma nota sublinha que esta colaboração com o PPLAAF e o ICIJ está relacionada “exclusivamente com a entrega deste disco rígido”.

Rui Pinto, que está preso, publicou centenas de documentos internos da indústria do futebol e partilhou várias informações com jornalistas, expondo alguns dos aspectos suspeitos da indústria global do futebol, incluindo evasão fiscal, manipulação de resultados de jogos, bem como os honorários extorsionistas de agentes desportivos.

As suas revelações levaram a abertura de processos-crime por fraude fiscal de vários jogadores de primeira linha.

Fonte: Angop

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