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Zungueiras lamentam voltarem aos maus-tratos depois de promessas

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Muito se tem falado sobre a zunga, actividade praticada maioritariamente por mulheres que todos os dias debaixo do sol, da chuva e perante a poeira exercem um trabalho que além de facilitar a compra de produtos para aqueles que se limitam a esperar uma delas passar, também coloca pão na mesa de muitas famílias em Angola, no geral, e Luanda em particular, pão este que já custou até troca de “prazeres sexuais” entre vendedor e agente da ordem pública, além de corridas e espancamento.

A lacrimejar, a senhora Rondina Paulo, que vende na paragem da Vila (troço Benfica-Golfe 2) explicou que durante o período da campanha eleitoral vendiam “sem qualquer problema e ainda nos diziam que não voltariam a pisar nem levar o negócio das mamães zungueiras, mas agora que as eleições passaram, mesmo sem motivos os homens em serviço da população estão a nos espancar e a levar nosso negócio”, lamentou Rondina, enquanto enxugava as lágrimas.

Marta Ferraz, outra senhora também vendedoura ambulante, disse que os agentes da Polícia Nacional não têm tratado as mesmas com devido respeito “nos tratam como se fôssemos animais irracionais, não parece que têm mulheres na família” terminou, revelando que na semana finda, no sábado, dia 10, sua colega “foi  impiedosamente espancada por um agente da polícia na Rotunda do Gameck, junto de uma agência bancária diante de tanta gente a olhar” tendo a mesma ficado com ferimentos e hoje, sem ter como dar continuidade ao negócio, a mesma encontra-se em casa enquanto espera que as colegas a emprestam um valor para recomeçar a venda.

Dona Marta lembrou que durante a campanha eleitoral os agentes da ordem pública garantian que os mesmos não iriam mais dar corrida à zungueira alguma depois das eleições e que as senhoras podiam comercializar seus produtos sem problema “nos enganaram, só queriam o voto, agora como tudo terminou já não nos precisam mais, voltamos ao nosso ‘pão de cada dia’ (corridas)”.

Segundo contam algumas delas, muitas vezes por não ter dinheiro para recuperar o negócio, são obrigadas a manter relações sexuais com agentes envolvidos, em troca dos produtos levados.

Empenhadas, as ambulantes vendem de tudo um pouco ( baldes, sal, frutas, roupas, hortícolas, brinquedos, calçados…) em muitos cantos da capital percorrendo diariamente quilómetros em busca de lucros que servem para o sustento familiar.

Conscientes dos riscos que correm ao vender em locais impróprios, as vendedeiras deixaram um apelo a quem de direito “pedimos que o governo coloque as paragens de táxis juntos dos mercados porque grande parte dos clientes das zungueiras são os mesmos dos táxis”.

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