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Calemas causam danos a várias embarcações

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Mais de 20 embarcações da cooperativa Kilamba-Kiaxi, no Bairro dos Pescadores, no município de Cacuaco, foram ontem destruídas pelas calemas, que se registam na costa marítima nos últimos três dias.

O pescador Manuel Fernandes esclareceu que a maior das embarcações ficaram totalmente danificadas e diz ter observado com alguma preocupação a agitação do mar, onde as ondas atingiram quase tudo que se encontrava nas proximidades.

De acordo com o pescador, as calemas destruíram várias bancadas de vendedoras que comercializam peixe no mercado do Mundial e tarimba para a seca de pescado, além de terem arrastado grandes quantidade de lixo.
“O fenómeno registado nestes três últimos dias criou pânico na população em função da agitação do mar. A maioria dos pescadores foi obrigada a retirar as embarcações da água e colocá-las em terra”, conta o pescador.
Com a agitação do mar, Manuel Fernando disse ter perdido três embarcações, duas das quais podem ser reparadas, mas que vão requererem gastos avultados para poderem voltar a funcionar com normalidade.
António Sebastião, também pescador, explicou que, quando o mar começou a ficar bravo, se encontrava perto da costa e, de imediato, foi surpreendido por ondas gigantescas que, inclusive, empurraram, com violência, algumas chatas contra a terra.
No caso dos pescadores que estavam nas embarcações com dois motores, António Sebastião contou que felizmente conseguiram agarrar-se à rede e ao motor, mas os que circulavam com chatas de apenas um motor foram auxiliados pelos colegas.
António Sebastião lembrou que o vento e as ondas chegaram a atingir dois metros de altura, o que complicou, significativamente, a vida dos pescadores e as embarcações artesanais. Em consequência disso, continuou, houve colegas que ficaram feridos e que foram socorridos no Hospital Municipal de Cacuaco, mas já receberam alta.
António Sebastião lamentou o facto de muitos pescadores perderem as suas embarcações e não têm condições de voltar a trabalhar.
Há mais de cinco anos que se faz ao mar, disse o pescador que apontou as dificuldades que passam, desde a falta de redes, anzóis e infra-estruturas dignas, situação que contribui para a fraca captura do pescado no Bairro dos Pescadores.

Hoje haverá agitação das águas com maré alta

As populações residentes próximo à orla marítima devem manter-se longe quanto possível do mar, para evitar que o pior aconteça, visto que hoje está prevista agitação das águas, com duas marés altas, disse ontem, em Luanda, fonte do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, que cita dados do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (Inamet).

O litoral do país regista hoje duas marés altas, sendo a primeira com início às primeiras horas da manhã, que poderá atingir uma altura de 1.60 metros e a segunda, a partir das 20h07, com 1.50 metros de altura e vai durar até às 2 horas de amanhã, aproximadamente.
Todo o litoral angolano registou ontem um aumento das ondas do mar que atingiram níveis até 1.60 e 1.70 metros de altura, respectivamente, segundo o Inamet.
Em entrevista ao Jornal de Angola, o porta-voz do Serviço de Protecção e Bombeiros, salientou que desde o registo das calemas no país as províncias de Benguela, Cuanza-Sul, Luanda e Bengo são as que registaram o fenómeno com maior intensidade.
Desde o início do fenómeno não há registo de vítima mortal, disse Faustino Minguês que aconselha os habitantes da zona litoral e não só, em particular os pescadores, a não se fazerem ao mar, enquanto a situação durar e aos proprietários de bares e restaurantes a estarem em constante alerta com os níveis do mar.
“Ainda não estamos na época balnear, mas alertamos a população para se manter atenta quando se aproximar do litoral, pois todo o cuidado é pouco. O que acontece muitas vezes, é que as pessoas são surpreendidas, particularmente os pescadores, no momento do exercício das suas actividades”, alertou Faustino Minguês.

Fonte: Jornal de Angola

 

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