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Caso CNC: Augusto Tomás invoca Deus em tribunal para dizer que tem vergonha daqueles que tomaram a decisão de o prender

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O antigo ministro dos Transportes, Augusto Tomás, disse, nas suas últimas palavras ao tribunal antes do acórdão, que tem vergonha daqueles que tomaram a decisão de o prender, alegando inocência, e afirmando que “Deus é justo e fará justiça”. “O caminho é bastante longo. Aquele que hoje é considerado réu, exerceu funções com patriotismo, orgulho e lealdade à Pátria. Orgulhou-me em ver e ouvir pela televisão turistas estrangeiros considerarem o Caminho de Ferro de Benguela (CFB) como uma obra bem conseguida”, disse o ex-ministro, que enumerou os seus feitos em tribunal.

O réu salientou que realizou mais de 200 projectos no sector que dirigiu e afirmou que deixa obra nunca antes realizada por nenhum outro Ministério. “Nunca fui admoestado, pelo contrário, recebi elogios e menções honrosas pelos meus bons préstimos”, referiu.

“Dez meses encarcerado ilegalmente e inconstitucionalmente, sinto-me orgulhoso pela minha prisão e sinto vergonha daqueles que tomaram essa decisão. Deus existe e fará justiça. Peço perdão para todos eles”, realçou Augusto Tomás. O ex-ministro dos Transportes é o único dos cinco réus que se encontra há 10 meses encarcerado, na cadeia de São Paulo. Todos os réus são acusados pelo Ministério Público (MP) de praticaram artifícios fraudulentos para desviar fundos do Estado com o fim de capitalizar as suas empresas e algumas entidades privadas no valor de mais de mil milhões de kwanzas, 40 milhões de dólares e 13 milhões de euros do Conselho Nacional de Carregadores (CNC).

Na sessão de ontem, a representante do Ministério Público, Júlia Lacerda, pediu aos juízes da Câmara Criminal do Tribunal Supremo para que condenassem os réus envolvidos no caso CNC à pena máxima dentro da moldura penal dos vários crimes de que são acusados, à excepção do réu Eurico da Silva, para o qual o MP pediu uma pena mínima, por ter cooperado com a Justiça. O juiz presidente da causa, Joel Leonardo, depois de ouvir atentamente as alegações do MP, que durou 01:47, pediu aos cinco advogados que apresentassem os seus argumentos de defesa. Os advogados entenderam que a acusação do Ministério Público se baseou no relatório administrativo produzido pela IGAE, no âmbito das suas funções inspectivas feitas ao CNC.

Os cincos defensores consideraram que tanto a acusação como a pronúncia estão completamente erradas e pediram a absolvição dos seus constituintes. Já o réu António Manuel Paulo pediu ao tribunal que faça de verdade justiça, pois no seu entender não fez nada de mal e não se apropriou de nenhum valor desviado do CNC, e que sempre fez tudo na legalidade.

“Eu cometi erros e reconheço-o, e mais uma vez peço perdão. Mas devo dizer que na altura não sabia que estava a cometer erros, pois sempre que reunia com os meus superiores estavam lá juristas e sentia que estava a fazer tudo na legalidade. Acredito que já paguei pelos erros que cometi “, disse o réu Rui Manuel Moita. Na mesma linha de pensamento do réu Rui Manuel Moita esteve Isabel Bragança, antiga directora-geral adjunta da área financeira do CNC.

O réu Eurico da Silva não se conteve ao proferir as últimas palavras antas da decisão dos juízes em sentenciar cada réu envolvido no processo. Eurico da Silva chorou em tribunal e pediu perdão à família pelos erros que cometeu, e realçou que somente disse a verdade.

Seguidamente o venerando juiz presidente, Joel Leonardo, informou ao tribunal que a fase das alegações finais estava encerrada e que o Tribunal Supremo vai na próxima sessão fazer a discussão dos quesitos. A próxima sessão, de apresentação e discussão dos quesitos, está agendada para terça- feira 06 de Agosto, e, posteriormente, o juiz Joel Leonardo indicará o dia da leitura do acórdão.

Fonte: Angonotícias

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