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Dívida pública suporta activo dos maiores bancos comerciais

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O investimento dos principais bancos comerciais em títulos e valores mobiliários registou um aumento de quase 37% (até Junho de 2019), quando comparado com o mesmo período do ano passado, concluiu o Vanguarda com base na informação financeira das respectivas instituições bancárias do sistema, que constituem os “Big Five”. A soma agregada dos cinco maiores bancos comerciais do SBA, investida na dívida pública, de acordo ainda com os cálculos do Vanguarda, passou de cerca de 2,6 biliões Kz para 3,5 biliões Kz, tendo um peso de aproximadamente 40,4% sobre o activo conjunto dos “Big Five”.

No mesmo período, a carteira de crédito fixou-se em cerca de 2,2 biliões Kz, que corresponde a uma diminuição de pelo menos 12%, comparativamente ao exercício transacto cujo montante foi de quase 2,5 biliões Kz, segundo cálculos do Vanguarda, que se baseou nos balancetes trimestrais. Os dados do BFA e BIC são do segundo trimestre, os restantes do primeiro. O BFA é o maior investidor bancário. Até ao segundo trimestre de 2019 já tinha investido mais de 920,8 mil milhões Kz, o que representa 26,2% do montante aplicado pelos restantes quatros bancos que compõem os “Big Five”, designação atribuída as cinco maiores instituições bancárias do sistema bancário angolano (SBA).

A quantia que o BFA aplicou em títulos e valores mobiliários representa, aproximadamente, 50,3% do activo, enquanto a carteira de crédito cerca de 15,9%, como apurou o Vanguarda, na informação financeira daquele banco, o mais rentável do SBA. Tendo em conta o volume aplicado em títulos e valores mobiliários e o montante da carteira de crédito, pode-se perceber que o principal negócio do BFA é a dívida pública, em inversão ao objectivo clássico de um banco comercial (intermediação financeira), que passa pela captação de depósitos e transformá-los em crédito para a economia e as famílias.

O rácio de transformação de depósitos em crédito do BFA, no segundo trimestre de 2019, foi de aproximadamente 21,4%. A constatação do Vanguarda sustenta a posição avançada. Apesar de nunca se ter feito um estudo para fixar o rácio ideal, a crítica defende que, por bom-senso, pode chegar aos 65% ou 70% e em caso extremo a 95%. 100% já é considerado preocupante. A actividade dos bancos comerciais com capitais públicos é suposta estar ancorada na intermediação financeira. Esta realidade foi quebrada no Banco de Poupança e Crédito (BPC), instituição bancária criada em 1991, face à reestruturação do sistema financeiro angolano.

O investimento do BPC em dívida pública no primeiro trimestre de 2018 foi de cerca de 308,9 mil milhões Kz, no mesmo período de 2019, o montante passou para mais de 683,5 mil milhões Kz, um aumento de aproximadamente 121%. Naquele exercício, a carteira de crédito do antigo maior banco recuou perto de 37,6%, como calculou o Vanguarda. O montante aplicado pelo BPC (cerca de 683,6 mil milhões Kz) representa 19,4% do agregado do “Big Five”, relativamente à dívida pública. Face ainda ao valor disponibilizado, foi o terceiro maior credor do Estado, ultrapassando o banco BIC. Ainda no primeiro semestre de 2019, o BPC registou uma diminuição de quase 3,2% do activo, face ao período homólogo transacto e foi ultrapassado pelo BAI, que no mesmo período aumentou 31,6%. Actualmente é a maior instituição bancária do SBA.

Se a diminuição do activo significou “empobrecimento” do BPC, a contracção da carteira de crédito dá sinais de recuperação do crédito malparado, um dos males que o afectou. A aplicação do BAI foi de 773,9 mil milhões Kz. representa 22% do montante global aplicado pelos cinco maiores bancos do SBA em títulos e valores mobiliários. O rácio de transformação é de 20%. Pelo indicador, pode-se perceber que tem condido pouco crédito. A dívida pública também consta.

A quantia investida pelo Banco Millennium Atlântico (BMA) em títulos e valores mobiliários foi de quase 401,6 mil milhões Kz, que equivale a aproximadamente 13,9% do valor agregado. Face aos indicadores apresentados, tudo indica que grande parte da rendibilidade dos “Big Five” provem da dívida pública. O Executivo chegou à conclusão semelhante no último Plano de Estabilização Macroeconómica (PEM 2017-2018). O investimento em títulos da dívida pública dificulta a disponibilidade de crédito para a economia real, como reconhece o Executivo no PEM 2017-2018 que prometeu melhorar a situação.

Fonte: Angonotícias

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