Artigo

Embaixador quer inovações tecnológicas para mudanças climáticas

30 Visualizações

Addis-Abeba – O representante permanente de Angola Junto da União Africana e da Comissão Económica das Nações Unidas para África, Francisco da Cruz, apontou, nesta terça-feira, a necessidade do uso de inovações tecnológicas na agricultura, bem como numa gestão mais sustentável da terra e da água para se enfrentar os desafios provocados pelas mudanças climáticas.

“Deste modo, e investindo-se em estratégias inteligentes para o clima, seria possível avançar com uma agenda de paz, estabilidade e desenvolvimento sustentável em África”, declarou o diplomata durante uma sessão do Conselho de Paz e Segurança (CPS), realizada em Addis-Abeba sob o tema “Desastres Naturais e outros e Paz e Segurança em África”.

De acordo com o igualmente Embaixador de Angola na Etiópia, as mudanças climáticas estão a provocar condições meteorológicas extremas que pressionam a vida humana e animal e os ecossistemas essenciais para a sua sobrevivência, com consequências nos campos social, económico, político e de segurança.

Fez saber que Angola não está isenta dos efeitos das mudanças climáticas e desastres naturais, sustentando que, segundo estimativas das Nações Unidas, mais de dois milhões de pessoas no país estão a ser afectadas pela seca e a consequente insegurança alimentar no sul, das quais cerca de quinhentas mil são crianças com menos de cinco anos.

Francisco da Cruz afirmou que, para o Governo angolano, as intervenções, a curto prazo, não solucionam as perdas causadas pelas secas recorrentes, que afectam seis das suas 18 províncias.

Neste contexto, referiu, com o apoio técnico do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, (o governo) adoptou, recentemente, uma iniciativa que propõe acções sustentáveis de curto, médio e longo prazo para reduzir a vulnerabilidade e o risco associado da população local às futuras secas, inundações e ao crescente impacto das mudanças climáticas.

Ao considerar o tema em debate como de relevante importância no continente, declarou que o “Ciclone Idai”, que em Março último matou mais de mil pessoas em Moçambique, Zimbabwe e Malawi, foi um dos piores desastres relacionados às mudanças climáticas no hemisfério sul e constitui mais um sinal sobre os desafios ambientais que África enfrenta.

Frisou que, “num gesto de solidariedade”, Angola apoiou Moçambique com um desdobramento de meios humanos e materiais.

Francisco da Cruz notou que a África está a sofrer uma diminuição do volume de chuvas em grande parte da região do Sahel e do sul do continente e um aumento na região central, acrescentando que, nos últimos 25 anos, o número de desastres relacionados com o clima, por secas ou chuvas duplicou, razão pela qual o continente apresenta as taxas de mortalidade mais altas do mundo.

A seu ver, mudanças ambientais, combinadas com vulnerabilidades preexistentes estão a aumentar os desafios e as desigualdades em muitos países africanos, criando condições que podem levar à agitação política ou movimentos populacionais, com implicações na sua paz e estabilidade.

O diplomata lamentou o facto de todas as regiões africanas, embora de forma heterogénea, estarem entre as mais adversamente afectadas pelas mudanças climáticas e outros factores ambientais devido à alta exposição geográfica, desastres naturais, pressão demográfica e vulnerabilidades preexistentes, situações muitas vezes exacerbadas por políticas de desenvolvimento mal concebidas.

De acordo com Francisco da Cruz, as mudanças climáticas e desastres naturais estão a ameaçar o desempenho da agricultura, da qual depende muita gente para sobreviver e a aumentar a fragilidade de alguns países em desenvolvimento, com resultados devastadores e imprevisíveis para o seu futuro.

“De facto elas estão a ter implicações graves na economia e no sector do emprego, uma vez que cerca de 65% da forca de trabalho em África está envolvida em actividades agrícolas e a sua produção representa, aproximadamente 32% do Produto Interno Bruto do continente”, rematou.

O Embaixador recordou que a Agenda 2063 da União Africana baseia-se no décimo quinto Objectivo de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 (das Nações Unidas), dedicado à neutralidade da degradação da terra, ao expressar o seu apoio à protecção ambiental e à resiliência climática.

Fonte: Angop

Deixe uma resposta