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Parque da Independência à espera de dias melhores

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O Parque da Independência, no largo com o mesmo nome (ex 1º de Maio), que nos seus tempos áureos foi palco de várias actividades, como lançamento de obras literárias e artísticas, feiras, exposições, entre outras, apresenta, hoje, um cenário de abandono.

À volta do Largo da Independência encontramos vários serviços e negócios, mas a dependência do BPC, localizada naquelas imediações, por exemplo, vai sendo relegada ao segundo plano.
Entre os negócios praticados nas imediações, destaque para a venda de roupa e calçados. A solicitação do espaço é feita na empresa Palmas, que gere a feira do Largo da Independência, segundo Maria Francisco, que coordena as vendedoras nas cercanias da Praça do Povo.

“A inscrição é feita na Cidadela Desportiva e entre os documentos exigidos constam a cópia do BI, uma fotografia e dez mil kwanzas, que permite um mês de isenção, devendo, depois, passar a pagar 500 kwanzas por dia”, disse Maria Francisco.

António Ferreira, professor de uma escola de condução, disse à nossa reportagem que aproveita o local para ministrar aulas, cobradas por hora. “Por dia chego a receber dois a três clientes, a maior parte prefere fazer contrato para 30 aulas, com três blocos, de dez aulas cada”.  Marta Jorge, que se dedica à comercialização de peixe seco, feijão, óleo de palma, farinha musseque e bagre, disse que o negócio é rentável, pois, apesar de o marido estar desempregado há mais de cinco anos, dá para sustentar a família. “Seria bom que o Estado aumentasse os dias de venda, pois terças e sábados são insuficientes”.

Para Laureano Gonçalves, sapateiro, que diz ter aprendido a profissão com um velho amigo que já não faz parte do mundo dos vivos, a principal dificuldade é a falta de matéria-prima, como cabedal, cola, sola de sapatos, importada da China pela RDC, o que eleva o custo no mercado nacional.

Conta que, por semana, chega a consertar até dez pares de sapatos e diversos chinelos. “O negócio é rentável e dá para assegurar o bem-estar da família”.  

Carrossel às moscas para a tristeza de muitas crianças                              

O parque de diversão do Grupo Tondinha & Irmão, localizado no Largo da Independência, em Luanda, está às moscas.
Os equipamentos, como carrossel, carros de choque, helicópteros, avião infantil, comboio familiar, correntes eléctricas, pula-pula, casa das bruxas e de cinema 3D, que já deram alegria a várias crianças e acompanhantes, estão paralisados e não recebem nenhuma visita desde Dezembro do ano passado.

Adeus carrossel! Disse Paizinho, de oito anos, que mora nas imediações do Largo da Independência. “Eu brincava mais no pula-pula”, recorda Paizinho, com ar de tristeza. Um dos guardas disse que a maior parte dos funcionários foi despedida. “Nós somos os únicos que ficamos na empresa, pois a maior parte dos nossos colegas foi despedida”.

Segundo o director-geral da empresa, Paulo Afonso Jacinto “Tondinha”, dos mais de 500 trabalhadores restou apenas a equipa de segurança, para manter a integridade dos equipamentos. “Tenho contrato firmado com os ministérios da Educação e da Cultura, para proporcionar diversão e lazer às crianças nas escolas e comunidades carenciadas, mas sem qualquer reconhecimento e pagamento até à presente data” disse, acrescentando que o pula-pula era a diversão mais procurada pelos menores, se-guindo-se o comboio infantil e a casa das bruxas.
Paulo Afonso Jacinto garantiu que todos os equipamentos estão em bom estado. “Não estamos a operar para não colocar em perigo a vida das crianças”.

O maior desafio para manter a diversão das crianças no Largo da Independência, até o ano passado, acrescentou, era a falta de energia eléctrica, pois eram necessários mais de 100 litros de combustível por dia, para manter os geradores funcionais.

“Em tempos de pandemia, à semelhança dos outros segmentos de negócio, o Estado precisa olhar para os investidores que apoiam a diversão das crianças, que não pode ser feita nesta altura, por causa das medidas de biossegurança, para se evitar a propagação da doença”, concluiu.

Calada da noite 

Na calada da noite a zona passou a ser uma das mais frequentadas, nos últimos dias. Além da venda de bebidas alcoólicas, a altas horas, passou a ser um lugar de concentração de moças que procuram pela vida, aparentemente, fácil.
A quantidade de iluminação à volta tende a desencorajar o negócio, que conhece o seu ponto mais alto a partir de quarta-feira e se estende até ao final de semana.
Muitos homens ao volante de viaturas ligeiras e top de gama encontram companheiras para diversão, por algumas horas, naquele lugar.

Os preços variam de acordo com a cilindragem da viatura, rondando entre dois e cinco mil kwanzas. “A partir de quinta-feira encontras aqui umas pequenas, até em plena luz do dia”, disse um operativo.
A bebida alcoólica não é tudo, a venda de cigarros, ovos e fritos fazem do lugar uma alternativa às altas horas da noite, para quem passa nas imediações.

Fonte: Jornal de Angola

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