Artigo

Quotização irregular complica trabalho da Comissão do Golfo da Guiné

99 Visualizações

Luanda – O secretário executivo adjunto da Comissão do Golfo da Guiné, Gilberto Veríssimo, apontou, nesta terça-feira, em Luanda, a necessidade dos Chefes de Estados e de Governo intercederem para a regularização no pagamento das quotas pelos Estados membros da organização.

O responsável falava à imprensa à margem de um seminário sobre “Estratégia Marítima Integrada da Região do Golfo da Guiné”, organismo criado em 2007 por Angola, Camarões, Gabão, Gana, Guiné Equatorial, Nigéria, República Democrática do Congo, República do Congo e São Tomé e Príncipe.

Informou que, ao contrário de Angola, que foi o primeiro a liquidar a quota de 2019, a maior parte dos países não paga quota e, por conseguinte, não se saldam os salários, exemplificando que os dinheiros utilizados para a logística da realização do seminário serviriam para os ordenados.

Esclareceu que em 2007, quando foi criada a comissão do Golfo da Guiné, Angola pagou a quota para todos os Estados-membros. Desde então, a organização passou a enfrentar sérios problemas devido a irregularidade nas contribuições.

O interlocutor entende que a situação só pode ser ultrapassada mediante a realização de um Conselho de Ministros da região, seguido de uma Cimeira de Chefes de Estado “que aprecie, de facto, o quê que os Estados querem com a organização, porque senão, não se irá avançar”.

“A organização não consegue ultrapassar estas dificuldades. A situação é realmente muito difícil”, disse, acrescentando que Angola é dos estados que mais contribui para essa organização, além de providenciar uma sede e ser o primeiro a pagar em 2019.

No seu discurso de abertura, o secretário de Estado para a Cooperação, Domingos Vieira Lopes, reiterou o apelo aos Estados-membros para actualizem as contribuições estatutárias essenciais na revitalização da comissão.

Informou que a Comissão do Golfo da Guiné tem encontrado enormes dificuldades para conduzir actividades que contribuam para a transformação da região numa zona de paz, de segurança e de desenvolvimento sustentável.

Por isso, defende que os Estados da região devem estar unidos no esforço comum para enfrentar as ameaças à segurança transaccional, em particular, o terrorismo, a pirataria, a pesca ilegal e não reportada, os crimes ambientais, tráfico de drogas e de pessoas, ben como a imigração ilegal.

Enquanto isso, a secretária executiva da Comissão do Golfo da Guiné, Florentina Adenike Ukonga, disse que a região registou este ano 78 incidentes de pirataria e roubos armados nas águas do Golfo da Guiné, além de 73 por cento de todos raptos no mar e 92 por cento de apreensões.

Defendeu uma conjugação de esforços entre os Estados-membros para fazer face às catástrofes naturais, criar uma política formulada de migração, encontrar soluções apropriadas para os problemas que possam surgir, bem como apostar em comunicações marítimas.

Já o presidente do comité de embaixadores do Golfo da Guiné, Adessean Dlatunde, espera que haja “grande reforço” do conhecimento e entendimento comum daquilo que se tem como recursos da região e providenciar soluções práticas para os desafios a enfrentar.

A região do Golfo da Guiné possui um enorme potencial de exploração de recursos naturais e está estrategicamente posicionada no Atlântico Sul, na rota do comércio internacional, o que faz de si o foco das atenções e de cobiça, a nível global, e objecto de ameaças transaccionais.

Fonte: Angop

Deixe uma resposta